domingo, 20 de setembro de 2009

Eu me apaixonaria por ele...




...se ele não fosse tão decente, se ele não fizesse todas as minhas vontades, se ele me provocasse de um jeito encantador e não infantil, se ele me falasse verdades sobre minha personalidade irritantantemente verdadeiras, se ele segurasse o cigarro de um jeito bagaceiro que só eu achasse interessante, se ele tivesse o estilo desleixado mais atraente do mundo, se ele sumisse, se ele não dissesse que me ama em tão pouco tempo, se ele me causasse dúvidas, se ele não fosse tão bom, logo comigo que tenho o dedo mais podre que se pode encontrar no "mercado" de relacionamentos do momento. Ele não é DJ, ele não dá uns peguinhas no fim de semana, ele não é barman ou promoter de festas, ele é de boa família, ele é certinho e eu aqui, toda errada. Mas ele não sabe disso, ou pelo menos não sabe da intensidade de tudo isso dentro de mim. Eu como boa escorpianina enjoo fácil, enjoei dos canalhas e quis apostar num relacionamento "familiar", só me esqueci do detalhe que arriscar pode magoar o dito escolhido quando eu ver que realmente, eu não nasci pra ser uma boa pessoa. Meninas más precisam de uma liberdade sem tamanho, que somente um cara tão "mal" quanto sabe administrar. Eu falo sem parar, ele escuta sem cansar. Eu não planejo, ele tem agenda, horários, trabalho e duas faculdades. Eu quero viver de tudo agora, imediatamente, ele acha que já viveu demais.


E no dia seguinte ele telefona, ou pior, ele acorda do meu lado e não me leva pra casa se despedindo com um beijo no rosto. Ele é bonzinho demais pra saber que café da manhã na cama não me apetece, não com ele, não assim de tão boa vontade com um sentimento verdadeiro vindo dos olhos dele. Um café da manhã na cama tentando ser gente boa após ter dormido comigo em uma cama de solteiro apertadinha, tentando se redimir ou fingindo arrependimento pra não perder a moça disponível após ter feito uma das milhares de cafajestagens que já fez e mesmo assim ela estando ali, com a camiseta dele, só com a camiseta dele, na cama dele, ainda. Aaaaah, isso sim faria a minha cabeça, o meu coração, minha mente e tudo mais que pudesse se apaixonar nesse corpo bobo que escreve aqui. E foi o que aconteceu.


É aí que vem a saudade, porque o Sr. Complicação me faz perder o sono e o Sr. Certinho só me faz ter mais sono? Simples! Complicações me interessam tanto quanto uma dose de tequila sem limão e sem sal, eu não sou boa o bastante pra conviver com o simples, não sei lidar com isso, me cansa a beleza, beleza essa que, modéstia a parte, nunca foi tão plena quanto foi com ele. O maior problema de tudo isso é que o Sr. Complicação, além de ser um exímio galanteador, é melhor ainda como professor. Eu o ensinei a querer, ele me ensinou a viver de um jeito torto, não que eu não soubesse antes, eu sabia, só não havia posto em prática com ele. Então eu pus, afinal, eu não sou uma pessoa tão legal assim quanto o tal Certinho pensa, eu não sou boa e eu não fui boa com o Complicação, logo quando ele tinha aprendido direitinho a ser do jeito que eu queria.


Resumindo a novela mexicana, aqui estou eu de volta pra casa. Transformei um complicado num certinho e agora estou prestes a transformar um certinho num complicado, no fundo no fundo eu não quero nenhum dos dois. Eu quero me perder num fim de tarde, numa praia em qualquer lugar que eu não conheça, com o cigarro mais fedorento que existe, ou com aquele cigarro que tu tá pensando mesmo.. E ali, bem ali naquela duna e no pôr-do-sol mais rosa que eu já presenciei, um novo Sr. apareça, o meu Sr! Aquele que vai pedir o fogo emprestado e levar metade de mim junto, quissá todo o resto também, e quer saber? Eu não vou me importar nadinha de emprestar o fogo pra ele até o fim.

2 comentários:

Geminiana disse...

Por que será que nós nunca estamos satisfeitas? Reclamamos do canalha e imploramos por um cara gente boa. Ele aparece e aí não tem graça! ¬¬
Adorei teu texto! :) Beijos!

Alessandro Portella disse...

Pobre do cara que tentar que utilizar teu fogo até o fim hehehehe
Vai se esgotar hahaha

Muito bom o texto realmente, dona Delirante.
Mas quanto à esta questão, o que eu penso é irrelevante, pois já foi explicado certa vez e, estou torcendo sempre pra dar certo!!